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desânimo

03 Mar

Mendiga

Na vida nada tenho e nada sou;
Eu ando a mendigar pelas estradas…
No silêncio das noites estreladas
Caminho, sem saber para onde vou!

Tinha o manto do sol… quem mo roubou?!
Quem pisou minhas rosas desfolhadas?!
Quem foi que sobre as ondas revoltadas
A minha taça de oiro espedaçou?!

Agora vou andando e mendigando,
Sem que um olhar dos mundos infinitos
Veja passar o verme, rastejando…

Ah, quem me dera ser como os chacais
Uivando os brados, rouquejando os gritos
Na solidão dos ermos matagais!…

Florbela Espanca, in “Charneca em Flor”


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1 Comentário

Publicado por em 3 de Março de 2011 em depressão, desânimo, florbela espanca

 

Etiquetas: , ,

One response to “desânimo

  1. jorgemiguelcs

    3 de Março de 2011 at 21:33

    há dias em que me sinto mesmo um verme, em que o mundo passa totalmente indiferente à minha presença insignificante…

     

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