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preso em mim

07 Mar

Sinto-me prisioneiro de mim mesmo, quero libertar-me de todos os maus pensamentos e dos maus sentimentos e de tudo o que me tortura e que me assombra mas não consigo. E esta alma pesada e negra que eu carrego arrasta para a desgraça o meu corpo, destruindo-o aos poucos, matando-o lentamente e dolorosamente. Eu tento sair deste estado que e corroí a parte metafísica do corpo. Quero viver sem estas tormentas invadirem o meu pensamento tornando o meu corpo uma extensão física e doente duma alma já quase morta de tantas cicatrizes e de tantas feridas a sangrar. Cada vez que dou um passo fora desta existência assombrada e triste algo acontece que me empurra de volta e me mata mais um bocado e me fere a alma já de si sofrida. Tento não morrer afogado nas minhas próprias lágrimas que teimam em cair sem fim. O que me prende a esta alma é simplesmente esta consciência que me culpa mesmo do que sei que não fiz, que me culpa do que sei que não contribui para que assim fosse. Também sei que esta auto culpabilização é um sintoma da depressão da qual não consigo sair. Depois numa tentativa fugaz de libertação saio, vou passear e tentar viver mas, a solidão logo bate e a melancolia vem, passa a nostalgia e fico logo mal, triste por não estar como quero, por sofrer, por lamentar, por apenas viver em vez de existir e todos os fantasmas voltam para me assombrar. Fantasmas que quase me levam à loucura, quase que me conduzem à demência, à tristeza de uma existência infeliz, que quase parece só aguardar uma morte do corpo à muito anunciada e profetizada pela doença da alma, essa já, quase morta, ferida quase mortalmente sem a cura que à tanto aguarda e anseia, a felicidade e a vontade de viver. Sempre me digo que amanhã é um novo dia, mas o dia seguinte é sempre tão mau ou pior que o dia que o precede. Sei que há uma cura para este estado da minha alma, ser amado, e não os antidepressivos que tomo. Os medicamentos não nos fazem sentir amados, não nos dizem que nos amam, não substituem o calor de outro alguém que nos ama, Preciso de forças para viver, reviver…

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2 Comentários

Publicado por em 7 de Março de 2011 em alma, depressão, eu, liberdade, morte, solidão, vida

 

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2 responses to “preso em mim

  1. pedacinhosdaminhaalma

    30 de Maio de 2012 at 21:42

    Entendo toda esta agonia com que escreves este texto, não é fácil vivermos com esta tortura reprimida dentro do nosso ser, só desejamos acabar com toda a dor, todo o sofrimento, toda a angustia, mas não sabemos como….
    Reparei que este artigo não é recente, deduzo que o tenhas escrito no inicio da depressao…
    Acho que agora estás bem mais positivo e os teus arigos são bem mais leves.

     
    • jorgemiguelcs

      30 de Maio de 2012 at 22:17

      Era uma agonia constante, agora são fases, até que vai passar. Dantes eu não entendia as pessoas que tinham depressão, agora entendo bem o que é, no que uma pessoa se torna, numa sombra do que já foi. Nunca pensei que um ser se pudesse destruir tanto… Nesta fase, em que escrevi este texto, estava no princípio do meu tratamento, já estava com depressão há algum tempo mas ainda não tinha acompanhamento. É verdade, agora escrevo mais levemente e bem menos, e quando escrevo é bem mais “soft”.

       

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