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vida V

17 Mar

 

Hora que Passa

 

Vejo-me triste, abandonada e só
Bem como um cão sem dono e que o procura
Mais pobre e desprezada do que Job
A caminhar na via da amargura!

Judeu Errante que a ninguém faz dó!
Minh’alma triste, dolorida, escura,
Minh’alma sem amor é cinza, é pó,
Vaga roubada ao Mar da Desventura!

Que tragédia tão funda no meu peito!…
Quanta ilusão morrendo que esvoaça!
Quanto sonho a nascer e já desfeito!

Deus! Como é triste a hora quando morre…
O instante que foge, voa, e passa…
Fiozinho d’água triste… a vida corre…

Florbela Espanca, in “Livro de Sóror Saudade”

Sinto-me um cão abandonado que não sabe se tem dono nem sabe se o dono o procura. Um cão que apenas percorre o tempo de vida numa existência à espera que alguém o deseje ou queira e que o tome num abraço carinhoso e cheio de amor, envolto num abraço protector do resto do mundo que parece tão mau, tão negro, tão injusto, tão… assimétrico… Espero… Espero… Sonho… Sonho… E a vida vai passando, lentamente, esvaindo-se por entre os minutos infinitamente vazios e ocos desta triste existência a que alguns chamam de vida… 😦

 


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2 Comentários

Publicado por em 17 de Março de 2011 em morte, mundo, poesia, sofrimento, solidão, tempo, tristeza, vida

 

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2 responses to “vida V

  1. Anónimo

    6 de Dezembro de 2011 at 17:18

    não pode só esperar

     

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