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identidade

21 Maio

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Identidade

Preciso ser um outro 
para ser eu mesmo 

Sou grão de rocha 
Sou o vento que a desgasta 

Sou pólen sem insecto 

Sou areia sustentando 
o sexo das árvores 

Existo onde me desconheço 
aguardando pelo meu passado 
ansiando a esperança do futuro 

No mundo que combato morro 
no mundo por que luto nasço 

Mia Couto, in “Raiz de Orvalho e Outros Poemas”

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Há partes de nós que se encontram latentes, instintos inatos que só são despoletados em situações específicas. Poucos de nós se auto conhece totalmente. Eu já começo a conhecer-me melhor a mim e aos outros. Isto não significa que eu entenda ou aceite melhor os outros, mas já sei de muito que sou capaz ou não. E, definitivamente, já vou vendo sinais nos outros, sinais que indicam do que são capazes ou não. Por um lado é bom, porque já vou sabendo o que esperar dos outros, antes da desilusão final… Cansei-me de ouvir clichés como “se fosse eu” ou “comigo não era assim” e coisas do género. Há coisas que não conseguimos prever o que faríamos sem passar pelo mesmo. Aliás, lembro-me de ter “criticado” um amigo meu e acabar por fazer o mesmo ou pior que ele quando me deparei com as mesmas circunstâncias. Aprendi que julgar os actos alheios sem passarmos pelo mesmo é errado, aprendi que julgar os outros pelo que faríamos ou pensamos que faríamos não tem mesmo lógica, somos todos diferentes.

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Publicado por em 21 de Maio de 2011 em eu, mia couto, poesia

 

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