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Arquivos diários: 8 de Julho de 2011

tempo VI

“Time is the space between me and you”

Seal – Prayer For The Dying

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Publicado por em 8 de Julho de 2011 em alma, amor, tempo

 

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tempo V

Explicação da Eternidade

devagar, o tempo transforma tudo em tempo.
o ódio transforma-se em tempo, o amor
transforma-se em tempo, a dor transforma-se
em tempo.

os assuntos que julgámos mais profundos,
mais impossíveis, mais permanentes e imutáveis,
transformam-se devagar em tempo.

por si só, o tempo não é nada.
a idade de nada é nada.
a eternidade não existe.
no entanto, a eternidade existe.

os instantes dos teus olhos parados sobre mim eram eternos.
os instantes do teu sorriso eram eternos.
os instantes do teu corpo de luz eram eternos.

foste eterna até ao fim.

José Luís Peixoto, in “A Casa, A Escuridão”

http://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Lu%C3%ADs_Peixoto


 
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Publicado por em 8 de Julho de 2011 em amor, José Luís Peixoto, tempo

 

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porquê?

Porquê?

Porque és fogo quando sou água?

Porque és sol quando sou lua?

Porque és dia quando sou noite?

Porque és luz quando sou escuridão?

Porque és paraíso quando sou inferno?

Porque és anjo quando sou demónio?

Porque és bela quando sou monstro?

Porque és vida quando sou morte?

Porque és?

Porque sou?

Porquê?

 
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Publicado por em 8 de Julho de 2011 em alma, amor, questão

 

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eu XIX

Quando Olho para Mim não Me Percebo

Quando olho para mim não me percebo. 
Tenho tanto a mania de sentir 
Que me extravio às vezes ao sair 
Das próprias sensações que eu recebo. 

O ar que respiro, este licor que bebo, 
Pertencem ao meu modo de existir, 
E eu nunca sei como hei de concluir 
As sensações que a meu pesar concebo. 

Nem nunca, propriamente reparei, 
Se na verdade sinto o que sinto. Eu 
Serei tal qual pareço em mim? Serei 

Tal qual me julgo verdadeiramente? 
Mesmo ante as sensações sou um pouco ateu, 
Nem sei bem se sou eu quem em mim sente. 

Álvaro de Campos, in “Poemas” 
Heterónimo de Fernando Pessoa

 
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Publicado por em 8 de Julho de 2011 em fernando pessoa, poesia

 

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