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30 Jul

Sem Medo nem Esperança

Li no nosso Hecatão que pôr termo aos desejos é proveitoso como remédio aos nossos temores. Diz ele: «deixarás de ter medo quando deixares de ter esperança». Perguntarás tu como é possível conciliar duas coisas tão diversas. Mas é assim mesmo, amigo Lucílio: embora pareçam dissociadas, elas estão interligadas. Assim como uma mesma cadeia acorrenta o guarda e o prisioneiro, assim aquelas, embora parecendo dissemelhantes, caminham lado a lado: à esperança segue-se sempre o medo. Nem é de admirar que assim seja: ambos caracterizam um espírito hesitante, preocupado na expectativa do futuro. A causa principal de ambos é que não nos ligamos ao momento presente antes dirigimos o nosso pensamento para um momento distante e assim é que a capacidade de prever, o melhor bem da condição humana, se vem a transformar num mal. As feras fogem aos perigos que vêem mas assim que fugiram recobram a segurança. Nós tanto nos torturamos com o futuro como com o passado. Muitos dos nossos bens acabam por ser nocivos: a memória reactualiza a tortura do medo, a previsão antecipa-a; apenas com o presente ninguém pode ser infeliz!

Séneca, in ‘Cartas a Lucílio’

A esperança é acreditar que algo irá acontecer, apesar das probabilidades, sejam elas quais forem. A esperança implica tempo, durante o qual temos de ser perseverantes, ou teimosos, como lhes queiram chamar. Quando temos esperança, nada é impossível, acreditámos simplesmente que vai acontecer. A resposta a que estou a tentar chegar é se esperança é algo de bom ou mau para nós. Termos esperança em algo que nunca venha a acontecer, apesar de toda a luta que travámos, pode ter efeitos devastadores no nosso ser mas, por outro lado, se acontecer é algo maravilhoso e recompensador, faz-nos sentir tão bem. Para as pessoas que tem por tendência ter esperança e lutar por algo, só o facto de desistirem já é uma derrota, algo que não suportam. Aqueles que simplesmente não lutam, não se pode dizer que desistiram porque ou querem ali, naquele tempo e naquele espaço, ou já não querem, não é uma desistência, é uma transição. Quem tem mais hipótese de sofrer? Obviamente aquele que tem esperança mas, por outro lado, se atingirem o objectivo são bem mais felizes, tem uma sensação de realização bem maior do que os outros, os que não esperança. Penso que tudo se resume a uma questão: o quanto eu quero algo e, se estou disposto a lutar, a acreditar a esperar por esse algo, o quanto quero esse algo incluído no meu futuro. O sofrimento inerente à esperança é o medo do futuro, de não acontecer, de não ser conforme os nossos desejos. Apesar de tudo, não me arrependo de ser assim, de ter esperança, por mais doloroso que possa vir a ser e, muito menos, nunca me arrependi de ter lutado por um objectivo, independentemente de o ter atingido ou não. nunca é tempo perdido, conforme a opinião dos que não lutam. O meu objectivo é, meramente, ser feliz, o que se revela quase impossível :(.

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Publicado por em 30 de Julho de 2011 em esperança, felicidade, seneca, tempo, vida

 

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