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solidão IX

08 Ago

Este, que um deus cruel arremessou à vida, 
Marcando-o com o sinal da sua maldição, 
– Este desabrochou como a erva má, nascida 
Apenas para aos pés ser calcada no chão. 

De motejo em motejo arrasta a alma ferida… 
Sem constância no amor, dentro do coração 
Sente, crespa, crescer a selva retorcida 
Dos pensamentos maus, filhos da solidão. 

Longos dias sem sol! noites de eterno luto! 
Alma cega, perdida à toa no caminho! 
Roto casco de nau, desprezado no mar! 

E, árvore, acabará sem nunca dar um fruto; 
E, homem, há de morrer como viveu: sozinho! 
Sem ar! sem luz! sem Deus! sem fé! sem pão! sem lar! 

Olavo Bilac, in “Poesias”

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Publicado por em 8 de Agosto de 2011 em alma, Olavo Bilac, poesia, solidão

 

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