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ausência II

29 Ago
Confissão
Vivo um drama interior. 
Já nele pouco a pouco me consumo. 
E de tanto te buscar, 
Mas sem nunca te encontrar, 
Sou como um barco sem leme, 
Que perdesse o rumo, 
No alto mar. 

Da minha vida, assim, 
O que vai ser nem sei! 
Dias alegres houvesse… 
E os dias são para mim 
Rosas mortas de um jardim 
Que um vendaval desfizesse. 

Tenho horas bem amargas. 
Eu o confesso, 
Eu o digo. 
E se tudo passa e esqueço, 
Esquecer o teu perfil 
É coisa que eu não consigo. 

Sofro por ti. O frio do que morre 
Amortalha a minha alma em saudade. 
Atrás de uma ilusão a minha vida corre, 
Como se fora atrás de uma verdade. 

A Deus peço, por fim, o meu sossego antigo. 
Não me persiga mais o teu busto delgado. 
Passo os dias e as noites a sonhar contigo, 
Na cruz da tua ausência estou crucificado. 

A tua falta sinto. Não o oculto. 
Ocultá-lo seria uma mentira. 
Vejo por toda a parte a sombra do teu vulto, 
Teu nome é para mim um mundo que me inspira. 

E em hora derradeira, 
Um dia, quando 
A Morte vier, 
E aos meus olhos chegar, 
Eu não terei sequer, à minha beira, 
Uns dedos finos de mulher 
Que mos possam fechar. 

Alfredo Brochado, in “Bosque Sagrado”

E os dias são para mim Rosas mortas de um jardim

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Publicado por em 29 de Agosto de 2011 em Alfredo Brochado, amor, ausência, poesia, saudade

 

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