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cansaço #2

14 Out

Aspiro a um Repouso Absoluto

Aspiro a um repouso absoluto e a uma noite contínua. Poeta das loucas voluptuosidades do vinho e do ópio, não tenho outra sede a não ser a de um licor desconhecido na Terra e que nem mesmo a farmacopeia celeste poderia proporcionar-me; um licor que não é feito nem de vitalidade, nem de morte, nem de excitação, nem de nada. Nada saber, nada ensinar, nada querer, nada sentir, dormir e sempre dormir, tal é actualmente a minha única aspiração. Aspiração infame e desanimadora, porém sincera. 

Charles Baudelaire, in “Projectos de prólogos para «Flores do Mal»”

Seria bom esta neutralidade, esta ausência da realidade quando dormimos no sono que o cansaço em tudo na vida nos provoca, seria bom para mim se isso acontecesse sem o meu subconsciente transpor todos os meus fantasmas da vida para os meus sonhos… É estranho como me consigo sentir um falhado acordado e senti-lo a dormir, com os sonhos sempre a relembrarem todos os factos maus da minha vida. Gostava, adorava poder dormir e repousar a actividade frenética do meu cérebro que me atormenta, simplesmente “Nada saber, nada ensinar, nada querer, nada sentir, dormir e sempre dormir”…

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Publicado por em 14 de Outubro de 2011 em cansaço, Charles Baudelaire

 

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