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prazer e dor

14 Out

Prazer e Dor São as Únicas Certezas da Vida

Os filósofos têm tentado abalar todas as nossas certezas e mostrar que do mundo conhecemos apenas aparências. Possuiremos sempre, porém, duas grandes certezas, que nada poderia destruir: o prazer e a dor. Toda a nossa actividade deriva delas. As recompensas sociais, os paraísos e os infernos criados pelos códigos religiosos ou civis baseiam-se na acção dessas certezas, cuja evidente realidade não pode ser contestada. Desde que a vida se manifesta, surgem o prazer e a dor. Não é o pensamento, mas a sensibilidade, que nos revela o nosso “eu”. Se dissesse: “Sinto, logo existo” ao invés de: “Penso, logo existo”, Descartes estaria muito perto da verdade. Assim modificada, a sua fórmula aplica-se a todos os seres e não a uma fração apenas da humanidade. Dessas duas certezas poder-se-ia deduzir a completa filosofia prática da vida. Fornecem uma resposta segura à eterna pergunta tão repetida desde o Eclesiastes: por que tanto trabalho e tantos esforços, já que a morte nos espera e o nosso planeta se extingará um dia? Porquê? Porque o presente ignora o futuro e no presente a Natureza condena-nos a procurar o prazer e a evitar a dor. O operário, curvado sob o peso do trabalho, a irmã de caridade, a quem não repugna nenhuma chaga, o missionário torturado pelos selvagens, o sábio que procura a solução de um problema, o obscuro micróbio que se agita no fundo de uma gota d’água, todos obedecem aos mesmos estimulantes de atividade: o atractivo do prazer, o receio da dor. Nenhuma atividade tem outro móbil. Não poderíamos mesmo imaginar móbis diferentes desses. Só os nomes podem variar. Prazeres estéticos, guerreiros, religiosos, sexuais, etc., são formas diversas do mesmo aspecto fisiológico A actividade dos seres se dissiparia se desaparecessem as duas certezas que são os seus grandes móbis: o prazer e a dor. 

Gustave Le Bon, in “As Opiniões e as Crenças”

Para mim, certezas absolutas na vida há só uma, a morte. Tirando essa verdade absoluta na nossa vida, não creio que haja mais nenhuma. Que iremos ter prazer ou dor na nossa vida também me parece uma premissa errada, visto que podemos passar por fases em que não sentimos nenhuma delas, por exemplo, podemos não ser felizes mas isso não implica que sejamos infelizes pois há um meio termo em que sentimos uma neutralidade perante a vida. Acho certo, sim, que a vida é uma constante batalha pelo prazer evitando a dor, a felicidade é a nossa base de vida, tendo em conta que a vida é limitada, até ao dia em que morremos, importa sermos felizes nesta breve estadia na existência que é a vida. A dor, porém, pode sobrevalorizar o sentimento de prazer. Tempos infinitos de dor dão um sabor de prazer ao simples facto de acabar a dor, mesmo sem haver o prazer. Tenho certeza que todos gostariam de viver com prazer e não dor…

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Publicado por em 14 de Outubro de 2011 em dor, Gustave Le Bon, prazer, vida

 

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