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lágrimas #8

15 Out

Hoje à noite fui dar um passeio, um longo passeio a pé. A esperança de que algo mudasse na minha vida ou em mim era muita, mas que idiota me senti, como se por magia, no fim do passeio, o mundo mudasse ou, em contrapartida eu ficasse diferente, melhor… As ruas estavam estranhamente desertas, vazias como a minha alma. Ao longe a lua ilumina os meus passos mas não me guia rumo à mudança, rumo à felicidade. Oiço o mar ao longe, aproximo-me mais dele na vã esperança de nele encontrar uma solução para toda este sofrimento. Chego lá e só oiço lamentações deste mar em que tanto confio os meus mais íntimos segredos e sentimentos. De repente desejo que a chuva caia, para disfarçar estas lágrimas que me começam a cair. Sabes, meu amigo mar, muita da água que formam as tuas onda são lágrimas minhas, lágrimas que chorei a teu lado, lágrimas carregadas de dor, de sofrimento, de solidão e de carência. Mas sinto que nem tu me vales, com tantas histórias de dor que já ouviste, és incapaz de me aliviar e de me confortar deste desgosto que me corrói e que arde cá dentro, que me mata mais um bocado a cada momento que passa. Olho para a lua e sinto que até ela me abandonou, mas perdoo-te minha amiga lua, todos acabam por me abandonar. Este ciclo de abandono começou muito cedo na minha vida, com o meu pai, por vezes penso que se até o meu pai me abandonou porque alguém há-de querer-me. Talvez o mal esteja em mim e não nos outros, talvez a causa do meu sofrimento seja eu mesmo e não os outros. Não sei, sinto que já não consigo raciocinar, os meus pensamentos estão cada vez mais vagos, diluídos nas lágrimas que teimam em escorrer-me pela face. Deito-me na areia, oiço o mar e vejo a lua e penso em ti. Tento entender mas já tenho dificuldade em me entender a mim próprio. Como preciso de ti, como preciso do teu amor, como preciso do teu carinho, como preciso de estar apenas ali, deitado no colo quente e reconfortante dum abraço dos teus braços. Por momentos imagino-te ali a meu lado, mas cedo percebo que não passa duma miragem do meu desejo. Então diluis-te com as minhas lágrimas e desapareces da minha realidade. Levanto-me com os olhos vermelhos e a cara molhada de lágrimas e parto então em rumo à mesma realidade de sempre, à minha tristeza, ao ódio pela minha vida, à vontade de não viver mais um dia neste inferno, desejando que o amanhã não chegue para mim, que chegue apenas à eternidade vazia, fria e escura da morte. Morte que espero que seja a minha paz…

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6 Comentários

Publicado por em 15 de Outubro de 2011 em alma, dor, eu, lágrima, lua, mar, morte, vida

 

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6 responses to “lágrimas #8

  1. Paulo Santos

    23 de Outubro de 2011 at 19:51

    tudo acaba por passar

     
  2. Anónimo

    9 de Dezembro de 2011 at 22:00

    as vezes só temos que aceitar as derrotas para continuar outro caminho e a acreditar que depois tempestade vem sempre abundância

     
    • jorgemiguelcs

      9 de Dezembro de 2011 at 22:12

      Nunca me custou aceitar derrotas quando eu as merecia, custa-me imenso aceitar uma derrota quando sei que fiz tudo e mais alguma coisa para vencer… Espero conseguir aceitar em breve e espero mesmo por essa abundância que vem depois da tempestade. A tempestade dentro de mim ainda não terminou, mas vai terminar… Obrigado por suas palavras.

       
  3. pedacinhosdaminhaalma

    1 de Junho de 2012 at 22:47

    Ashei o texto lindo, cheio de sentimento.
    Revejo aqui tudo que temos falado ultimamente…
    Não é fácil deixar para trás todo o sentimento que temos dentro do peito, mas é como diz a pessoa do comentário acima.

    “as vezes só temos que aceitar as derrotas para continuar outro caminho e a acreditar que depois tempestade vem sempre abundância”

     
    • jorgemiguelcs

      3 de Junho de 2012 at 18:17

      Não é nada fácil mesmo lidar com tudo o que fica dentro de nós e não sabermos o que fazer com aqueles sentimentos todos, com aquelas vontades todas. É quase uma perdição, termos tanta coisa para dar a alguém e não lhe podermos dar. Temos tudo dentro de nós, não o podemos dar mas também não desaparece. Se até a conformação é difícil, quanto mais a aceitação, mas a verdade é que é o primeiro passo…

       

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