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amor #58

11 Abr

A Demora

O amor nos condena:
demoras
mesmo quando chegas antes.
Porque não é no tempo que eu te espero.

Espero-te antes de haver vida
e és tu quem faz nascer os dias.

Quando chegas
já não sou senão saudade
e as flores
tombam-me dos braços
para dar cor ao chão em que te ergues.

Perdido o lugar
em que te aguardo,
só me resta água no lábio
para aplacar a tua sede.

Envelhecida a palavra,
tomo a lua por minha boca
e a noite, já sem voz
se vai despindo em ti.

O teu vestido tomba
e é uma nuvem.
O teu corpo se deita no meu,
um rio se vai aguando até ser mar.

Mia Couto, in ” idades cidades divindades”

Quando se ama o tempo longe é uma eternidade, e o tempo juntinhos é sempre pouco…

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2 Comentários

Publicado por em 11 de Abril de 2012 em amor, mia couto, poesia

 

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2 responses to “amor #58

  1. perolamagica

    11 de Abril de 2012 at 21:17

    Queria ter alguem assim a minha espera…

     
    • jorgemiguelcs

      12 de Abril de 2012 at 20:02

      Acredito que são poucas as pessoas que conseguem exprimir de modo simples este sentimento tão complexo que é o amor, é preciso ter alma de poeta para o conseguir e, sem dúvida que Mia Couto é uma dessas pessoas.

       

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