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amor #59

28 Abr

De um Amor Morto

De um amor morto fica 
Um pesado tempo quotidiano 
Onde os gestos se esbarram 
Ao longo do ano 

De um amor morto não fica 
Nenhuma memória 
O passado se rende 
O presente o devora 
E os navios do tempo 
Agudos e lentos 
O levam embora 

Pois um amor morto não deixa 
Em nós seu retrato 
De infinita demora 
É apenas um facto 
Que a eternidade ignora 

Sophia de Mello Breyner Andresen, in “Geografia”

alguns amores são como velas apagadas, não gastam mas também não dão luz nem dão calor... não evoluem, estagnam na dimensão do tempo...

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2 Comentários

Publicado por em 28 de Abril de 2012 em amor, poesia, Sophia de Mello Breyner Andresen

 

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2 responses to “amor #59

  1. perolamagica

    28 de Abril de 2012 at 16:49

    Poema lindo e verdadeiro…

     
    • jorgemiguelcs

      29 de Abril de 2012 at 16:34

      Por vezes somos nós que não vemos o fim, ou não o queremos ver. E prolongamos algo que já nem tem uma base sólida para assentar… O fim é o mal menor muitas das vezes.

       

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