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Arquivo da Categoria: florbela espanca

vida #60

“A vida é sempre a mesma para todos: rede de ilusões e desenganos.

O quadro é único, a moldura é que é diferente.”

Florbela Espanca

 
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Publicado por em 20 de Fevereiro de 2012 em florbela espanca, vida

 

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lágrimas da alma

Lágrimas Ocultas

Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida …

E a minha triste boca dolorida,
Que dantes tinha o rir das primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!

E fico, pensativa, olhando o vago …
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim …

E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!

Florbela Espanca, in “Livro de Mágoas”

 
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Publicado por em 3 de Fevereiro de 2012 em florbela espanca, lágrima, poesia

 

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suicídio #3

É uma resposta aos que chamam ao suicídio um fim de cobardes e de fracos, quando são unicamente os fortes que se matam! Sabem lá esses pseudo-fortes o que é preciso de coragem para friamente, simplesmente, dizer um adeus à vida, à vida que é um instinto de todos nós, à vida tão amada e desejada a despeito de tudo, embora esta vida seja apenas um pântano infecto e imundo! 

“Correspondência (1916)”
Florbela Espanca

 
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Publicado por em 27 de Janeiro de 2012 em alma, florbela espanca, morte, sociedade, vida

 

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lágrimas VII

Lágrimas Ocultas

Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida …

E a minha triste boca dolorida,
Que dantes tinha o rir das primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!

E fico, pensativa, olhando o vago …
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim …

E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!

Florbela Espanca, in “Livro de Mágoas”

As mágoas condensam-se e rolam na face como gotas de chuva. As memórias do paraíso que era estar a teu lado contrastam agora com o inferno da minha solidão. Porque me martirizo com as memórias? Porque até em sonhos tenho de chorar? Até os sonhos me relembram a triste realidade em que a minha existência se tornou. O passado destrói o presente e mata o futuro, arrasa qualquer tentativa de me levantar, de viver. Se o futuro depende do presente, como deixo que o passado interfira? Tantas questões, nenhuma resposta… São as lágrimas, a matéria da minha alma, a constante da equação da minha mera vida. Choro-as e não melhoro, choro-as à lua e ela é impotente para me ajudar, apenas me escuta e me acompanha nestas noites cada vez mais solitárias, nestas noites cada vez mais em branco.

 
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Publicado por em 17 de Setembro de 2011 em florbela espanca, poesia, vida

 

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alma XL

Quem nos deu asas para andar de rastros? 
Quem nos deu olhos para ver os astros 
– Sem nos dar braços para os alcançar?!… 

Florbela Espanca, in “Charneca em Flor”

(enxerto de “alma a sangrar“)

alcançar o inalcançável... a possibilidade do impossível...

 Por vezes, por mais que tentemos, por mais que nos esforcemos, não chegamos lá, é injusto…

 
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Publicado por em 25 de Agosto de 2011 em alma, florbela espanca

 

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desejos de impossível

“Estou cansada, cada vez mais incompreendida e insatisfeita comigo, com a vida e com os outros. Diz-me, porque não nasci igual aos outros, sem dúvidas, sem desejos de impossível? E é isto que me traz sempre desvairada, incompatível com a vida que toda a gente vive…”

Florbela Espanca

 
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Publicado por em 16 de Agosto de 2011 em amor, felicidade, florbela espanca, vida

 

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amor XXI

O Dom Milagroso de um Grande Amor

Na vida de toda a gente há braçados floridos dessas tolices sem importância. Só a raros eleitos é dado o milagroso dom de um grande amor. Eu teria muita pena que o destino não me trouxesse esse grande amor que foi o meu grande sonho pela vida fora. Devo agradecer ao destino o favor de ter ouvido a minha voz. Pôr finalmente, no meu caminho, a linda alma nova, ardente e carinhosa que é todo o meu ampa­ro, toda a minha riqueza, toda a minha felicidade neste mundo. A morte pode vir quando quiser: trago as mãos cheias de rosas e o coração em festa: posso partir contente.

Florbela Espanca, in “Correspondência (1930)”

Gostava de poder dizer o mesmo, de poder dizer que se morresse agora, que morreria feliz… Já fui um dos raros eleitos…

 
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Publicado por em 26 de Junho de 2011 em alma, amor, felicidade, florbela espanca, morte, vida

 

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