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Arquivo da Categoria: Friedrich Nietzsche

loucura #7

“Há sempre alguma loucura no amor.

Mas há sempre um pouco de razão na loucura.”

Friedrich Nietzsche

 
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Publicado por em 8 de Fevereiro de 2012 em amor, Friedrich Nietzsche, loucura

 

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culpa

Culpabilidade

O estado de pecado no homem não é um facto, senão apenas a interpretação de um facto, a saber: de um mal-estar fisiológico, considerado sob o ponto de vista moral e religioso. O sentir-se alguém «culpado» e «pecador», não prova que na realidade o esteja, como sentir-se alguém bem não prova que na realidade esteja bem. Recordem-se os famosos processos de bruxaria; naquela época os juízes mais humanos acreditavam que havia culpabilidade; as bruxas também acreditavam; contudo, a culpabilidade não existia.

Friedrich Nietzsche, in ‘Genealogia da Moral’

Culpa… A culpa implica consciência, implica termos noção do bem e do mal, implica acharmos que fizemos mal. Como ateu, não acredito em pecado, acredito em boas e más acções, acredito em crime e acções eticamente ou moralmente erradas, mas não no pecado. O pecado é o equivalente religioso ao crime, ao eticamente errado. A culpa torna-se ambígua visto que o conceito do bem e do mal pode variar de individuo para individuo e porque implica consciência de termos feito algo errado. Podemos ter culpa e não a sentir, tal como podemos não ter culpa e sentirmos que somos culpados. Quando me sinto culpado (mesmo não tendo culpa) sinto-me mal, triste e desiludido comigo, não fico bem, massacro-me mentalmente, não durmo e não consigo mesmo nem sorrir. Cada um de nós reage de modo diferente, alguns não transparecem este sentimento de culpa e outros, nem a sentem. A culpa é como um fantasma, como uma vozinha que nos recorda permanentemente do errado, não nos poupa, consome a nossa paz, corrói a nossa alma e ensombra o nosso coração. Quando olho para trás, para a minha vida toda, num exercício retroinspectivo, vejo muitos erros que cometi, vejo muita coisa que podia e devia ter feito diferente, assim como vejo erros que fizeram para comigo. Mas não odeio ninguém, encontro sempre factores abonatórios e perdoo sempre, não está na natureza do meu ser guardar rancor de alguém. Mas tenho o defeito de quando odeio alguém, é mesmo ódio, raiva. Já me estou a desviar do assunto, que era culpa. Comecei a pensar em culpa e como se reage perante a culpa e, acho que a culpa depende da mentalidade de cada um, do que cada um vê como certo ou como errado, ou, mesmo que a pessoa ache errado, pode não sentir culpabilidade enquanto não for descoberto. Há pessoas que não revelam culpa até que se saiba os erros e, algumas, mesmo depois de desmascarados continuam alheios a este sentimento. O que despoletou esta divagação sobre culpa foi uma conversa que tive com um amigo que, mesmo depois de ter sido desmascarado continuou a viver como se nada fosse, alheio ao que fez outras pessoas sofrerem e, isto está mesmo longe do que eu penso ou sinto sobre o assunto… Mesmo que eu fosse capaz de fazer o que ele fez, não conseguia viver com a paz e felicidade com que ele vive… Sinto inveja de não ser assim, já o escrevi antes, agora preferia ser uma besta insensível…

 
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Publicado por em 21 de Julho de 2011 em culpa, erro, Friedrich Nietzsche

 

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aprender a ver

Aprender a Ver

Aprender a ver – habituar os olhos à calma, à paciência, ao deixar-que-as-coisas-se-aproximem-de-nós; aprender a adiar o juízo, a rodear e a abarcar o caso particular a partir de todos os lados. Este é o primeiro ensino preliminar para o espírito: nãoreagir imediatamente a um estímulo, mas sim controlar os instintos que põem obstáculos, que isolam. Aprender a ver, tal como eu o entendo, é já quase o que o modo afilosófico de falar denomina vontade forte: o essencial nisto é, precisamente, opoder não «querer», o poder diferir a decisão. Toda a não-espiritualidade, toda a vulgaridade descansa na incapacidade de opor resistência a um estímulo — tem que se reagir, seguem-se todos os impulsos. Em muitos casos esse ter que é já doença, decadência, sintoma de esgotamento, — quase tudo o que a rudeza afilosófica designa com o nome de «vício» é apenas essa incapacidade fisiológica de não reagir. — Uma aplicação prática do ter-aprendido-a-ver: enquanto discente em geral, chegar-se-á a ser lento, desconfiado, teimoso. Ao estranho, aonovo de qualquer espécie deixar-se-o-á aproximar-se com uma tranquilidade hostil, — afasta-se dele a mão. O ter abertas todas as portas, o servil abrir a boca perante todo o facto pequeno, o estar sempre disposto a meter-se, a lançar-se de um salto para dentro de outros homens e outras coisas, em suma, a famosa «objectividade» moderna é mau gosto, é algo não-aristocrático par excellence. 

Friedrich Nietzsche, in “Crepúsculo dos Ídolos”

Ver é fácil, interpretar o que vemos já é difícil, assim como reagir ao estímulo do que vemos. Vemos melhor com os olhos fechados, perdendo o tempo necessário para interpretar o estímulo visual e pensando na reacção certa para o mesmo. A interpretação do que vemos é largamente influenciada pelo nosso ser, pelas nossas crenças, pela nossa confiança, por nós mesmos. Quantas vezes não vemos apenas o que queremos ver, iludindo-nos a nós próprios e, pior, quantas vezes a nossa reacção é manipulada por nós próprios, pelo que não queremos ver. O ver implica sentir, o estímulo provoca alterações internas no nosso ser, quando não queremos sentir, simplesmente não vemos, ignoramos…

 
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Publicado por em 17 de Julho de 2011 em alma, Friedrich Nietzsche, Homem

 

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