RSS

Arquivo da Categoria: Homem

perdão II

“Forgiveness means giving up all hope for a better past”

Jack Kornfield

 
Deixe o seu comentário

Publicado por em 27 de Julho de 2011 em Homem, Jack Kornfield, perdão, tempo, vida

 

Etiquetas: , , ,

sociedade IV

O Triunfo dos Imbecis

Não nos deve surpreender que, a maior parte das vezes, os imbecis triunfem mais no mundo do que os grandes talentos. Enquanto estes têm por vezes de lutar contra si próprios e, como se isso não bastasse, contra todos os medíocres que detestam toda e qualquer forma de superioridade, o imbecil, onde quer que vá, encontra-se entre os seus pares, entre companheiros e irmãos e é, por espírito de corpo instintivo, ajudado e protegido. O estúpido só profere pensamentos vulgares de forma comum, pelo que é imediatamente entendido e aprovado por todos, ao passo que o génio tem o vício terível de se contrapor às opiniões dominantes e querer subverter, juntamente com o pensamento, a vida da maioria dos outros.
Isto explica por que as obras escritas e realizadas pelos imbecis são tão abundante e solicitamente louvadas – os juízes são, quase na totalidade, do mesmo nível e dos mesmos gostos, pelo que aprovam com entusiasmo as ideias e paixões medíocres, expressas por alguém um pouco menos medíocre do que eles.

Este favor quase universal que acolhe os frutos da imbecilidade instruída e temerária aumenta a sua já copiosa felicidade. A obra do grande, ao invés, só pode ser entendida e admirada pelos seus pares, que são, em todas as gerações, muito poucos, e apenas com o tempo esses poucos conseguem impô-la à apreciação idiota e ovina da maioria. A maior vitória dos néscios consiste em obrigar, com certa frequência, os sábios a actuar e falar deles, quer para levar uma vida mais calma, quer para a salvar nos dias da epidemia aguda da loucura universal.

Giovanni Papini, in ‘Relatório Sobre os Homens’

Já nada disto me surpreende, a maioria nem sempre (ou quase nunca) tem razão, porque é formada por, como o autor lhes chama, de imbecis. Este é o motivo porque penso que a democracia não funciona bem,  porque a maioria ganha e, como se vê, a maioria é formada por…

 
Deixe o seu comentário

Publicado por em 26 de Julho de 2011 em Homem, mundo, sociedade

 

Etiquetas: , ,

medo II

Não Somos Capazes de Distinguir o que é Bom e o que é Mau
.
Quantas vezes um pretenso desastre não foi a causa inicial de uma grande felicidade! Quantas vezes, também, uma conjuntura saudada com entusiasmo não constituiu apenas um passo em direcção ao abismo — elevando um pouco mais ainda alguém em posição eminente, como se em tal posição pudesse estar certo de cair dela sem risco! A própria queda, aliás, não tem em si mesma nada de mal se tomares em consideração o limite para lá do qual a natureza não pode precipitar ninguém. Está bem perto de nós o termo de tudo quanto há, está bem perto, garanto-te, o limite desta existência donde o venturoso se julga expulso e o desgraçado liberto; nós é que, ou por esperanças ou por receios desmesurados, a fazemos mais extensa do que realmente é. Se agires com sabedoria, medirás tudo em função da condição humana, e assim limitarás o espaço tanto das alegrias como dos receios. Vale bem a pena privarmo-nos de duradouras alegrias a troco de não sentirmos duradouros receios! Por que motivo procuro eu restringir este mal que é o medo? É que não há razão válida para temeres o que quer que seja; nós, isso sim, deixamo-nos abalar e atormentar apenas por vãs aparências. Nunca ninguém analisou o que há de verdade no que nos aflige, mas cada um vai incutindo medo nos outros; nunca ninguém se atreveu a aproximar-se do que lhe perturba o espírito e a averiguar a natureza real e fundamentada do seu medo. Daqui resulta o crédito que se dá a um perigo inexistente, que mantém a sua aparência porque ninguém o contesta a sério. Basta que nos decidamos a abrir bem os olhos para verificarmos como é diminuto, incerto e inofensivo aquilo que receamos. A confusão dos nossos espíritos corresponde perfeitamente à descrição de Lucrécio: «tal como as crianças no meio da escuridão tremem com medo de tudo, assim nós tememos em plena luz!». Pois bem, não seremos nós mais insensatos do que as crianças, nós que tememos em plena luz? A verdade, porém, Lucrécio, é que nós não tememos em plena luz, criamos, sim, trevas a toda a nossa volta! Não somos capazes de distinguir o que é bom e o que é mau; passamos toda a vida a correr, a tropeçar às cegas, e nem por isso somos capazes de parar ou de tomar atenção onde pomos os pés. Estás a imaginar como é coisa de loucos andar a correr no escuro! Valham-me os deuses! Não conseguimos mais nada senão termos de regressar de mais longe; sem saber para onde nos dirigimos, continuamos teimosamente a caminhar para onde o instinto nos leva. No entanto, se o quisermos, poderá fazer-se luz em nós. De um único modo: adquirirmos o conhecimento das coisas divinas e humanas, um conhecimento interiorizado, e não meramente superficial; meditarmos nessas ideias já adquiridas, comprovarmos a sua validade pela nossa própria experiência; investigarmos o que é bom e o que é mau, e a que coisas se atribui falsamente um ou outro destes adjectivos; averiguarmos em que consiste o bem e o mal éticos — e, finalmente, o que é a providência.
.
Séneca, in ‘Cartas a Lucílio’
.

 
Deixe o seu comentário

Publicado por em 21 de Julho de 2011 em Homem, medo, seneca

 

Etiquetas: , ,

aprender a ver

Aprender a Ver

Aprender a ver – habituar os olhos à calma, à paciência, ao deixar-que-as-coisas-se-aproximem-de-nós; aprender a adiar o juízo, a rodear e a abarcar o caso particular a partir de todos os lados. Este é o primeiro ensino preliminar para o espírito: nãoreagir imediatamente a um estímulo, mas sim controlar os instintos que põem obstáculos, que isolam. Aprender a ver, tal como eu o entendo, é já quase o que o modo afilosófico de falar denomina vontade forte: o essencial nisto é, precisamente, opoder não «querer», o poder diferir a decisão. Toda a não-espiritualidade, toda a vulgaridade descansa na incapacidade de opor resistência a um estímulo — tem que se reagir, seguem-se todos os impulsos. Em muitos casos esse ter que é já doença, decadência, sintoma de esgotamento, — quase tudo o que a rudeza afilosófica designa com o nome de «vício» é apenas essa incapacidade fisiológica de não reagir. — Uma aplicação prática do ter-aprendido-a-ver: enquanto discente em geral, chegar-se-á a ser lento, desconfiado, teimoso. Ao estranho, aonovo de qualquer espécie deixar-se-o-á aproximar-se com uma tranquilidade hostil, — afasta-se dele a mão. O ter abertas todas as portas, o servil abrir a boca perante todo o facto pequeno, o estar sempre disposto a meter-se, a lançar-se de um salto para dentro de outros homens e outras coisas, em suma, a famosa «objectividade» moderna é mau gosto, é algo não-aristocrático par excellence. 

Friedrich Nietzsche, in “Crepúsculo dos Ídolos”

Ver é fácil, interpretar o que vemos já é difícil, assim como reagir ao estímulo do que vemos. Vemos melhor com os olhos fechados, perdendo o tempo necessário para interpretar o estímulo visual e pensando na reacção certa para o mesmo. A interpretação do que vemos é largamente influenciada pelo nosso ser, pelas nossas crenças, pela nossa confiança, por nós mesmos. Quantas vezes não vemos apenas o que queremos ver, iludindo-nos a nós próprios e, pior, quantas vezes a nossa reacção é manipulada por nós próprios, pelo que não queremos ver. O ver implica sentir, o estímulo provoca alterações internas no nosso ser, quando não queremos sentir, simplesmente não vemos, ignoramos…

 
Deixe o seu comentário

Publicado por em 17 de Julho de 2011 em alma, Friedrich Nietzsche, Homem

 

Etiquetas: , ,

vida XXV

“Para o homem, apenas há três acontecimentos: nascer, viver e morrer. Ele não sente o nascer, sofre ao morrer e esquece-se de viver.”

Jean de La Bruyère

o tempo passa sem esperar por nós... não o temos eternamente

 
Deixe o seu comentário

Publicado por em 9 de Julho de 2011 em Homem, morte, tempo, vida

 

Etiquetas: , , ,

vida, morte e o Homem…

Ninguém é nada, não passamos de um monte de átomos, não somos mais do que um saco de células com prazo de validade… É a simples visão cientifica da nossa existência. Mesmo que muitos não queiram aceitar, a nossa única função biológica, como espécie, é assegurar a continuação da mesma. É difícil aceitar esta existência vazia de sentido, tendo a capacidade cognitiva de que a espécie humana dispõe, pelo que tivemos de lhe dar um sentido e, para isso, inventamos a religião. É a fuga fácil, a religião enche o vazio da nossa existência, proporciona-lhe um motivo e um objectivo. Acredito haver uma relação directa entre religião e suicídio, penso que uma grande percentagem de ateus entre os suicidas. Isto talvez mostre a falta de um objectivo na vida dos ateus. Para os crentes, quanto mais sofram em vida, melhor será depois de morrer e isso faz com que suportem mais as provocações da existência. Que esperança pode ter um ateu? Nenhuma. A religião preenche o espaço de muitas dúvidas existenciais que possamos ter. Como já o referi antes, não sou contra a religião, aliás somos livres de acreditar no que queremos mas nunca, mesmo nunca, temos o direito de o impingir aos outros. Não vou aqui descrever o que acho da religião, não é o motivo deste post, talvez noutro o faça. Acredito que se eu fosse crente, tudo seria diferente, a minha visão do mundo, do universo, da humanidade e da vida seria bem mais colorida. Seria fácil responder a questões como a nossa vida e a nossa morte, viveria porque Deus assim o quis e morreria porque Deus também o quis… Sendo assim, ateu, não entendo porque existo, porque nasci, porque vivo e porque morrerei… Não sou nada… Sou um conjunto complexo de átomos com capacidade de raciocínio… nada mais que isso… Esta é a minha visão negra da existência humana, da minha existência vazia, oca e sem sentido, sem razões e cheia de dúvidas.

somos apenas um complexo conjunto de átomos...

 
3 Comentários

Publicado por em 28 de Junho de 2011 em Homem, morte, religião, vida

 

Etiquetas: , , ,

sociedade III

A Hipocrisia do Ser

Para que servem esses píncaros elevados da filosofia, em cima dos quais nenhum ser humano se pode colocar, e essas regras que excedem a nossa prática e as nossas forças? Vejo frequentes vezes proporem-nos modelos de vida que nem quem os propõe nem os seus auditores têm alguma esperança de seguir ou, o que é pior, desejo de o fazer. Da mesma folha de papel onde acabou de escrever uma sentença de condenação de um adultério, o juiz rasga um pedaço para enviar um bilhetinho amoroso à mulher de um colega. Aquela com quem acabais de ilicitamente dar uma cambalhota, pouco depois e na vossa própria presença, bradará contra uma similar transgressão de uma sua amiga com mais severidade que o faria Pórcia. E há quem condene homens à morte por crimes que nem sequer considera transgressões. Quando jovem, vi um gentil-homem apresentar ao povo, com uma mão, versos de notável beleza e licenciosidade, e com outra, a mais belicosa reforma teológica de que o mundo, de há muito àquela parte, teve notícia. Assim vão os homens. Deixa-se que as leis e os preceitos sigam o seu caminho: nós tomamos outro, não só por desregramento de costumes, mas também frequentemente por termos opiniões e juízos que lhes são contrários.

Michel de Montaigne, in ‘Ensaios – Da Vaidade’

Como já o escrevi antes, estamos numa sociedade cada vez mais hipócrita. Uma sociedade aonde é mais importante parecê-lo do que sê-lo realmente. Uma sociedade aonde publicamente condenamos e em privado fazemos. Uma sociedade regida não por valores, mas por interesses.  Uma sociedade… abominável…

 
Deixe o seu comentário

Publicado por em 25 de Junho de 2011 em Homem, mundo, sociedade

 

Etiquetas: , ,

o homem e a sociedade

o Homem, um ser individual e social...

“A sociedade é um sistema de egoísmos maleáveis, de concorrências intermitentes. Como homem é, ao mesmo tempo, um ente individual e um ente social. Como indivíduo, distingue-se de todos os outros homens; e, porque se distingue, opõe-se-lhes. Como sociável, parece-se com todos os outros homens; e, porque se parece, agrega-se-lhes. A vida social do homem divide-se, pois, em duas partes: uma parte individual, em que é concorrente dos outros, e tem que estar na defensiva e na ofensiva perante eles; e uma parte social, em que é semelhante dos outros, e tem tão-somente que ser-lhes útil e agradável. Para estar na defensiva ou na ofensiva, tem ele que ver claramente o que os outros realmente são e o que realmente fazem, e não o que deveriam ser ou o que seria bom que fizessem. Para lhes ser útil ou agradável, tem que consultar simplesmente a sua mera natureza de homens. A exacerbação, em qualquer homem, de um ou o outro destes elementos leva à ruína integral desse homem, e, portanto, à própria frustração do intuito do elemento predominante, que, como é parte do homem, cai com a queda dele. Um indivíduo que conduza a sua vida em linhas de uma moral altíssima e pura acabará por ser ultrajado por toda a gente – até pelos indivíduos que, sendo também morais, o são com menos altura e pureza. E o despeito, a amargura, a desilusão, que corroem a natureza moral, serão os resultados da sua experiência. Mas também um indivíduo, que conduza a sua vida em linhas de um embuste constante, acabará, ou na cadeia, onde há pouco que intrujar, ou por se tornar suspeito a todos e por isso já não poder intrujar ninguém.”

Fernando Pessoa, in ‘Os Preceitos Práticos em Geral e os de Henry Ford em Particular’


 
2 Comentários

Publicado por em 15 de Maio de 2011 em fernando pessoa, Homem, sociedade

 

Etiquetas: , ,

mundo

Crueldade e sofrimento

A crueldade é constitutiva do universo, é o preço a pagar pela grande solidariedade da biosfera, é ineliminável da vida humana. Nascemos na crueldade do mundo e da vida, a que acrescentámos a crueldade do ser humano e a crueldade da sociedade humana. Os recém-nascidos nascem com gritos de dor. Os animais dotados de sistemas nervosos sofrem, talvez os vegetais também, mas foram os humanos que adquiriram as maiores aptidões para o sofrimento ao adquirirem as maiores aptidões para a fruição. A crueldade do mundo é sentida mais vivamente e mais violentamente pelas criaturas de carne, alma e espírito, que podem sofrer ao mesmo tempo com o sofrimento carnal, com o sofrimento da alma e com o sofrimento do espírito, e que, pelo espírito, podem conceber a crueldade do mundo e horrorizar-se com ela.

 

A crueldade entre homens, indivíduos, grupos, etnias, religiões, raças é aterradora. O ser humano contém em si um ruído de monstros que liberta em todas as ocasiões favoráveis. O ódio desencadeia-se por um pequeno nada, por um esquecimento, pela sorte de outrem, por um favor que se julga perdido. O ódio abstracto por uma ideia ou uma religião transforma-se em ódio concreto por um indivíduo ou um grupo; o ódio demente desencadeia-se por um erro de percepção ou de interpretação. O egoísmo, o desprezo, a indiferença, a desatenção agravam por todo o lado e sem tréguas a crueldade do mundo humano. E no subsolo das sociedades civilizadas torturam-se animais para o matadouro ou a experimentação. Por saturação, o excesso de crueldade alimenta a indiferença e a desatenção, e de resto ninguém poderia suportar a vida se não conservasse em si um calo de indiferença.

Edgar Morin, in ‘Os Meus Demónios’


http://edgarmorin.sescsp.org.br/

http://pt.wikipedia.org/wiki/Edgar_Morin

 

Nem eu descreveria melhor o Homem… O Homem é mesmo a única espécie animal que é capaz de massacrar o semelhante e as outras espécies só para tirar prazer desse acto. Inventa a guerra para fazer a paz. Inventa a religião para preencher o vazio sem explicação que é a existência e guerreia em nome de um Deus que, supostamente simboliza amor. Inventa o dinheiro e mata e luta por ele. Inventa os advogados para defenderem as suas causas, por mais erradas que sejam. Inventa a medicina para os curar das doenças pelas quais são directamente ou indirectamente responsáveis. Inventa a tourada e outros “desportos” tais como caça e pesca desportiva e se divertem como isso sem terem em consideração o sofrimento dos animais. Confunde-me o facto de defenderem a tourada como sendo tradição, no entanto já foi tradição queimar mulheres na fogueira acusadas de bruxaria, mas no entanto já não o fazem, mesmo tendo sido tradição. Inventa as armas para matar por ciúme, vingança, ódio, dinheiro, petróleo, etc e legisla sobre a posse das mesmas. É a única espécie que maltrata semelhantes e outras espécies por coisas fúteis e ainda consegue tirar prazer disso, mesmo sendo esses semelhantes filhos e familiares. O Homem é capaz de atrocidades perante os semelhantes como abandonar os filhos na rua e os pais idosos em hospitais sem sentirem o mínimo remorso por isso. Está certo que temos a vantagem de “pensarmos” mas falta-nos a consciência, o remorso, o civismo, a noção de sociedade perante os nossos semelhantes. Falta-nos uma consciência ecológica para não destruirmos o próprio planeta em que habitamos e para não dizimarmos outras espécies. A verdade é que, mesmo pensando, somos a pior espécie no planeta, somos os verdadeiros “animais” no sentido pejorativo que a palavra concede… Na categoria de animais racionais parecemos mesmo os mais irracionais de todos. Não é para criticar, mas sim para pensarmos e consciencializar…

 
Deixe o seu comentário

Publicado por em 11 de Abril de 2011 em Homem, mundo, sociedade

 

Etiquetas: , ,

 
%d bloggers like this: