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Arquivo da Categoria: josé saramago

coração

No Coração, Talvez

No coração, talvez, ou diga antes:
Uma ferida rasgada de navalha,
Por onde vai a vida, tão mal gasta.
Na total consciência nos retalha.
O desejar, o querer, o não bastar,
Enganada procura da razão
Que o acaso de sermos justifique,
Eis o que dói, talvez no coração.

José Saramago, in “Os Poemas Possíveis”

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Publicado por em 2 de Julho de 2012 em josé saramago, poesia

 

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tolerância

Como tem razão Saramago, tolerar não é aceitar…

Tolerância não é Igualdade

Eu sou contra a tolerância, porque ela não basta. Tolerar a existência do outro e permitir que ele seja diferente ainda é pouco. Quando se tolera, apenas se concede, e essa não é uma relação de igualdade, mas de superioridade de um sobre o outro. Sobre a intolerância já fizemos muitas reflexões. A intolerância é péssima, mas a tolerância não é tão boa quanto parece. Deveríamos criar uma relação entre as pessoas da qual estivessem excluídas a tolerância e a intolerância. 

José Saramago, in ‘Globo (2003)’

 
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Publicado por em 28 de Fevereiro de 2012 em josé saramago, mundo, sociedade

 

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o bem e o mal

A Regra Fundamental de Vida

Quando nós dizemos o bem, ou o mal… há uma série de pequenos satélites desses grandes planetas, e que são a pequena bondade, a pequena maldade, a pequena inveja, a pequena dedicação… No fundo é disso que se faz a vida das pessoas, ou seja, de fraquezas, de debilidades… Por outro lado, para as pessoas para quem isto tem alguma importância, é importante ter como regra fundamental de vida não fazer mal a outrem. A partir do momento em que tenhamos a preocupação de respeitar esta simples regra de convivência humana, não vale a pena perdermo-nos em grandes filosofias sobre o bem e sobre o mal. «Não faças aos outros o que não queres que te façam a ti» parece um ponto de vista egoísta, mas é o único do género por onde se chega não ao egoísmo mas à relação humana.

José Saramago, in “Revista Diário da Madeira, Junho 1994”

Estranho toda e qualquer pessoa que me tente convencer que a consciência do bem e do mal, do certo e do errado é uma função inata ao ser humano. Já várias pessoas me tentaram “impingir” esta ideia, é uma das premissas (erradas) da religião. Outra premissa errada da religião é a de que o conceito de deus é inato em nós, mas não quero neste artigo desviar-me para este assunto. A ideia do certo e do errado é moldado nas nossas mentes desde novos, é uma aprendizagem pelo qual temos de passar, esta aprendizagem é a nossa educação. Quem nos cria deve nos incutir esta ideia do bem e do mal, do certo e do errado, dos valores que deviam existir em qualquer sociedade e no mundo. Por mais errado que algo seja, se, durante a minha formação enquanto criança, vir os mais velhos (pais ou não) a fazerem erros naturalmente como se nada fosse, não mostrando a consciência de que é errado, para mim será normal e certo (por mais errado que seja). Creio que a frase chave seja mesmo «Não faças aos outros o que não queres que te façam a ti». É uma filosofia que qualquer criança devia ser ensinada desde nova. Lembro-me de alguém ter escrito que, além de deixar-mos um mundo melhor para os nossos filhos, devíamos deixar filhos melhores para o mundo… É uma ideia…

 
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Publicado por em 15 de Outubro de 2011 em josé saramago, mundo, sociedade, vida

 

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palavra

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“A palavra deixou de ter conteúdo e de ter qualquer coisa dentro, é pronunciada com uma leviandade total.”

José de Sousa Saramago

Grande verdade dita pelo grande José Saramago. As nossas palavras reflectem a nossa personalidade, e como estamos numa sociedade oca, a maior parte das nossas palavras são ocas, fúteis e vãs… Cada vez mais nos é fácil fazer promessas e não as cumprir, cada vez nos é mais fácil dizer o que os outros querem ouvir, é mais fácil, não é? Há palavras que só deviam ser ditas se verdadeiramente sentidas e não porque alguém gostava de as ouvir. Acho que o maior exemplo da traição das palavras está na classe política, em campanha prometem tudo porque é o que queremos ouvir, mas depois, depois nada se cumpre. Mas não é só na política que isto se nota, é em quase todos os quadrantes porque isto não é um problema de grupos específicos, é um mal de educação, é um mal da sociedade. As palavras são armas poderosas, com elas podemos mudar vidas, a nossa e a dos outros. Com elas podemos dar vida a alguém, podemos matar alguém, podemos dar felicidade, podemos dar infelicidade. Era importante que as palavras fossem usadas de modo responsável…

 
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Publicado por em 29 de Maio de 2011 em josé saramago, palavras, sociedade

 

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