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Arquivo da Categoria: Olavo Bilac

solidão #17

Este, que um deus cruel arremessou à vida,
Marcando-o com o sinal da sua maldição,
– Este desabrochou como a erva má, nascida
Apenas para aos pés ser calcada no chão.

De motejo em motejo arrasta a alma ferida…
Sem constância no amor, dentro do coração
Sente, crespa, crescer a selva retorcida
Dos pensamentos maus, filhos da solidão.

Longos dias sem sol! noites de eterno luto!
Alma cega, perdida à toa no caminho!
Roto casco de nau, desprezado no mar!

E, árvore, acabará sem nunca dar um fruto;
E, homem, há de morrer como viveu: sozinho!
Sem ar! sem luz! sem Deus! sem fé! sem pão! sem lar!

Olavo Bilac, in “Poesias”

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Publicado por em 9 de Julho de 2012 em Olavo Bilac, poesia, saudade

 

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beijo #4

Um Beijo

Foste o beijo melhor da minha vida,
ou talvez o pior…Glória e tormento,
contigo à luz subi do firmamento,
contigo fui pela infernal descida!
Morreste, e o meu desejo não te olvida:
queimas-me o sangue, enches-me o pensamento,
e do teu gosto amargo me alimento,
e rolo-te na boca malferida.
Beijo extremo, meu prêmio e meu castigo,
batismo e extrema-unção, naquele instante
por que, feliz, eu não morri contigo?
Sinto-me o ardor, e o crepitar te escuto,
beijo divino! e anseio delirante,
na perpétua saudade de um minuto…

Olavo Bilac, in “Poesias”

 
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Publicado por em 6 de Fevereiro de 2012 em amor, beijo, Olavo Bilac, poesia

 

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solidão IX

Este, que um deus cruel arremessou à vida, 
Marcando-o com o sinal da sua maldição, 
– Este desabrochou como a erva má, nascida 
Apenas para aos pés ser calcada no chão. 

De motejo em motejo arrasta a alma ferida… 
Sem constância no amor, dentro do coração 
Sente, crespa, crescer a selva retorcida 
Dos pensamentos maus, filhos da solidão. 

Longos dias sem sol! noites de eterno luto! 
Alma cega, perdida à toa no caminho! 
Roto casco de nau, desprezado no mar! 

E, árvore, acabará sem nunca dar um fruto; 
E, homem, há de morrer como viveu: sozinho! 
Sem ar! sem luz! sem Deus! sem fé! sem pão! sem lar! 

Olavo Bilac, in “Poesias”

 
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Publicado por em 8 de Agosto de 2011 em alma, Olavo Bilac, poesia, solidão

 

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