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Arquivo da Categoria: Vergílio Ferreira

vida #64

Breve Explicação do Sentido da Vida

Como exprimir em duas linhas o que venho tentando explicar já não sei em quantos livros? A vida é um valor desconcertante pelo contraste entre o prodígio que é e a sua nula significação. Toda a «filosofia da vida» tem de aspirar à mútua integração destes contrários. Com uma transcendência divina, a integração era fácil. Mas mais difícil do que o absurdo em que nos movemos seria justamente essa transcendência. Há várias formas de resolver tal absurdo, sendo a mais fácil precisamente a mais estúpida, que é a de ignorá-lo. Mas se é a vida que ao fim e ao cabo resolve todos os problemas insolúveis – às vezes ou normalmente, pelo seu abandono – nós podemos dar uma ajuda. Ora uma ajuda eficaz é enfrentá-lo e debatê-lo até o gastar… Porque tudo se gasta: a música mais bela ou a dor mais profunda. Que pode ficar-nos para já de um desgaste que promovemos e ainda não operamos? Não vejo que possa ser outra coisa além da aceitação, não em plenitude – que a não há ainda – mas em resignação. Filosofia da velhice, dir-se-á. Com a diferença, porém, de que a velhice quer repouso e nós ainda nos movemos bastante.

Vergílio Ferreira, in “Um Escritor Apresenta-se”

A mim parece-me, na minha singela opinião, que morremos sem entendermos a razão de termos nascido… cessamos de existir sem entender a própria existência…

 
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Publicado por em 7 de Março de 2012 em Vergílio Ferreira, vida

 

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suicídio #4

Salvar a vida, até onde é possível, mesmo à custa da morte. É o acto do suicida.

“Conta-Corrente 4”
Vergílio Ferreira

 
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Publicado por em 30 de Janeiro de 2012 em suicídio, Vergílio Ferreira

 

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vida XLIII

Entendermo-nos com a Vida

Como é difícil entendermo-nos com a vida. Nós a compor, ela a estragar. Nós a propor, ela a destruir. O ideal seria então não tentarmos entender-nos com ela mas apenas connosco. Simplesmente o nós com que nos entendêssemos depende infinitamente do que a vida faz dele. Assim jamais o poderemos evitar. E todavia, alguns dir-se-ia conseguirem-no. Que força de si mesmos ou importância de si mesmos eles inventam em si para a sobreporem ao mais? Jamais o conseguirei. O que há de grande em mim equilibra-se nas infinitas complacências da vida que me ameaça ou me trai. E é nesses pequenos intervalos que vou erguendo o que sou. Mas fatigada decerto de ser complacente, à medida que a paciência se lhe esgota em ser intervalarmente tolerante, ela vai-me sendo intolerante sem intervalo nenhum. E então não há coragem que chegue e toda a virtude se me esgota na resignação. É triste para quem sonhou estar um pouco acima dela. Mas o simples dizê-lo é já ser mais do que ela. A resignação total é a que vai dar ao silêncio.

Vergílio Ferreira, in ‘Conta-Corrente 4’

viver é mais do que esperar pela morte, ou devia ser...

Não é a vida que nos trama, não é o mundo que é injusto. São todos os seres que vivem no mundo que fazem desta vida e deste mundo o que ela é. Decerto que a vida por vezes nos surpreende com coisas negativas, coisas que estão fora do nosso controlo, mas a quase totalidade de todo o mal que nos acontece não é a vida em si que nos provoca, mas outras pessoas que influenciam negativamente na nossa vida. Cada vez mais creio que a vida é linda, o mundo é bonito, mas esta existência neste lugar pode ser um inferno provocado pelos outros nas nossas vidas. Resta estar bem com a vida mas é quase impossível estando mal com o mundo…

 
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Publicado por em 19 de Setembro de 2011 em Vergílio Ferreira, vida

 

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felicidade VI

“Há o desejo, que não tem limite, e há o que se alcança, que o tem. A felicidade consiste em fazer coincidir os dois.”

 
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Publicado por em 24 de Julho de 2011 em desejo, felicidade, Vergílio Ferreira

 

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vida XX

“Para que percorres inutilmente o céu inteiro à procura da tua estrela? Põe-na lá.”

Vergílio António Ferreira

 
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Publicado por em 24 de Junho de 2011 em amor, Vergílio Ferreira, vida

 

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