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É noite, já me deitei mas já percebi que não vou conseguir dormir. As lágrimas escorrem-me pela face enquanto escrevo estas palavras. Em cada lágrima uma memória de felicidade perdida, um sonho desfeito, uma promessa por cumprir, uma jura de amor quebrada, uma vontade recalcada, um desejo por realizar, uma saudade que me enlouquece, um beijo por dar, um abraço que não aconteceu, um toque que não dei, um carinho por realizar, um amor que não amei, um momento que não vivi a teu lado. Hoje devia ser um dia feliz, mas não o tivemos, como muitos que já os perdemos. Hoje tudo é tão negro, não tenho a luz da tua alma. Hoje tudo é tão frio, não tenho o calor do teu corpo. Hoje tudo é tão feio, não tenho a beleza do teu sorriso. Hoje tudo é tão neutro, não tenho a cor dos teus olhos. Hoje tudo é um inferno, não tenho o paraíso que é a tua presença. Hoje tudo é amargura, não tenho a doçura do teu ser. Hoje tudo é solidão, não tenho a tua companhia. Hoje tudo é pesadelo, não vivo o meu sonho de te ter a meu lado. Hoje tudo é morte, não te tenho na minha vida. Hoje morri um bocado em cada lágrima que derramei. Amanhã será melhor? Amanhã reviverei? Todos os dias penso para mim: amanhã é que é… e nunca é… nunca…

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Publicado por em 2 de Junho de 2011 em alma, amor, angústia, eu, sofrimento, solidão, vida

 

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angústia

Esta Velha Angústia

Esta velha angústia,
Esta angústia que trago há séculos em mim,
Transbordou da vasilha,
Em lágrimas, em grandes imaginações,
Em sonhos em estilo de pesadelo sem terror,
Em grandes emoções súbitas sem sentido nenhum.

Transbordou.
Mal sei como conduzir-me na vida
Com este mal-estar a fazer-me pregas na alma!
Se ao menos endoidecesse deveras!
Mas não: é este estar entre,
Este quase,
Este poder ser que…,
Isto.

Um internado num manicômio é, ao menos, alguém,
Eu sou um internado num manicômio sem manicômio.
Estou doido a frio,
Estou lúcido e louco,
Estou alheio a tudo e igual a todos:
Estou dormindo desperto com sonhos que são loucura
Porque não são sonhos.
Estou assim…

Pobre velha casa da minha infância perdida!
Quem te diria que eu me desacolhesse tanto!
Que é do teu menino? Está maluco.
Que é de quem dormia sossegado sob o teu teto provinciano?
Está maluco.
Quem de quem fui? Está maluco. Hoje é quem eu sou.

Se ao menos eu tivesse uma religião qualquer!
Por exemplo, por aquele manipanso
Que havia em casa, lá nessa, trazido de África.
Era feiíssimo, era grotesco,
Mas havia nele a divindade de tudo em que se crê.
Se eu pudesse crer num manipanso qualquer —
Júpiter, Jeová, a Humanidade —
Qualquer serviria,
Pois o que é tudo senão o que pensamos de tudo?

Estala, coração de vidro pintado!

Álvaro de Campos, in “Poemas”
Heterónimo de Fernando Pessoa

 
 

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