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silêncio #4

“Transformar em qualquer coisa de sobrenatural tudo o que sentimos, só porque a racionalidade assim obriga, faz do silêncio uma enorme enciclopédia de todas as verdades por dizer.”

Eduardo Sá

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Publicado por em 3 de Julho de 2012 em silêncio

 

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Poema do Silêncio

Poema do Silêncio

Sim, foi por mim que gritei.
Declamei,
Atirei frases em volta.
Cego de angústia e de revolta.

Foi em meu nome que fiz,
A carvão, a sangue, a giz,
Sátiras e epigramas nas paredes
Que não vi serem necessárias e vós vedes.

Foi quando compreendi
Que nada me dariam do infinito que pedi,
– Que ergui mais alto o meu grito
E pedi mais infinito!

Eu, o meu eu rico de baixas e grandezas,
Eis a razão das épi trági-cómicas empresas
Que, sem rumo,
Levantei com sarcasmo, sonho, fumo…

O que buscava
Era, como qualquer, ter o que desejava.
Febres de Mais. ânsias de Altura e Abismo,
Tinham raízes banalíssimas de egoísmo.

Que só por me ser vedado
Sair deste meu ser formal e condenado,
Erigi contra os céus o meu imenso Engano
De tentar o ultra-humano, eu que sou tão humano!

Senhor meu Deus em que não creio!
Nu a teus pés, abro o meu seio
Procurei fugir de mim,
Mas sei que sou meu exclusivo fim.

Sofro, assim, pelo que sou,
Sofro por este chão que aos pés se me pegou,
Sofro por não poder fugir.
Sofro por ter prazer em me acusar e me exibir!

Senhor meu Deus em que não creio, porque és minha criação!
(Deus, para mim, sou eu chegado à perfeição…)
Senhor dá-me o poder de estar calado,
Quieto, maniatado, iluminado.

Se os gestos e as palavras que sonhei,
Nunca os usei nem usarei,
Se nada do que levo a efeito vale,
Que eu me não mova! que eu não fale!

Ah! também sei que, trabalhando só por mim,
Era por um de nós. E assim,
Neste meu vão assalto a nem sei que felicidade,
Lutava um homem pela humanidade.

Mas o meu sonho megalómano é maior
Do que a própria imensa dor
De compreender como é egoísta
A minha máxima conquista…

Senhor! que nunca mais meus versos ávidos e impuros
Me rasguem! e meus lábios cerrarão como dois muros,
E o meu Silêncio, como incenso, atingir-te-á,
E sobre mim de novo descerá…

Sim, descerá da tua mão compadecida,
Meu Deus em que não creio! e porá fim à minha vida.
E uma terra sem flor e uma pedra sem nome
Saciarão a minha fome.

José Régio, in ‘As Encruzilhadas de Deus’

 
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Publicado por em 28 de Dezembro de 2011 em josé régio, poesia, silêncio

 

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silêncio III

“Os desgostos da vida ensinam a arte do silêncio.”

Seneca

Talvez porque nada altera o desgosto perante o mundo, por mais que falemos, gritemos ou berremos tudo permanece imutável à nossa passagem, nada altera o desgosto ou a causa desse desgosto. Então, um dia, desistimos de sequer tentar e o silêncio torna-se numa arte, na arte de passar o tempo sem falarmos, sem gritarmos. Os gritos ficam mudos, a alma grita por uma ajuda, por socorro mas o cérebro não permite que estes pedidos cheguem à boca e não o dizemos e, em silêncio, morremos a cada instante que passa, em silêncio somos corroídos por um desgosto ácido e azedo que, embora não transpareça, está lá bem dentro de nós, bem fundo na alma, atingindo toda a profundidade do nosso ser…

 
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Publicado por em 16 de Agosto de 2011 em desgosto, seneca, silêncio, vida

 

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amor XX

“Sabes bem que dei todo o meu ser, dei tudo de mim, fiz o impossível, que era acreditar no possível, poder amar-te para sempre com todas as minhas forças, esperar um novo dia com a certeza de te encontrar. O silêncio, contudo, tomou conta de mim.”

Daniel Sampaio – Lições do abismo

 
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Publicado por em 19 de Junho de 2011 em amor, daniel sampaio, silêncio

 

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beijo II

“Num único beijo saberás tudo aquilo que tenho calado.”

Pablo Neruda

 
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Publicado por em 15 de Maio de 2011 em amor, pablo neruda, silêncio

 

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silêncio II

Silêncio, Nostalgia…

Silêncio, nostalgia… 
Hora morta, desfolhada, 
sem dor, sem alegria, 
pelo tempo abandonada. 

Luz de Outono, fria, fria… 
Hora inútil e sombria 
de abandono. 
Não sei se é tédio, sono, 
silêncio ou nostalgia. 

Interminável dia 
de indizíveis cansaços, 
de funda melancolia. 
Sem rumo para os meus passos, 
para que servem meus braços, 
nesta hora fria, fria? 

Fernanda de Castro, in “Trinta e Nove Poemas”


 
 

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silêncio

O silêncio é a ausência de som, de ruído que interfira com o receptor auditivo, com excepção do ruído ambiente próprio do meio em que está. Silêncio pode ser ausência, distância, falta, vazio, paz, solidão… Tenho uma amiga cuja citação favorita é “Escuto o silêncio que há em mim e basta…” Para escutar o silêncio que há em mim precisava de estar em paz comigo e com o mundo, que não estou… Dentro de mim há loucura, gritos, desespero, agonia, conflitos, lutas, mágoa, dor, rancor, tudo menos paz, tudo menos silêncio. O silêncio, quão bom é o silêncio às vezes, quão boa é a paz interior, a nossa auto ausência de tudo o que nos rodeia e que perturba a nossa paz, o silêncio que há em nós. Quantas vezes é a nossa mente que interfere e perturba o nosso silêncio. O silêncio pode ser bom e pode ser muito mau. Quantas momentos silenciosos são quase perfeitos em que o corpo e o olhar falam por si. O silêncio de falta, de ausência, de distância perturbam o nosso próprio silêncio interior. Por vezes preciso de silêncio absoluto para me escutar a mim, para escutar o que o meu coração quer e sente. Por vezes preciso de me ausentar em mente de todo o ruído que me rodeia, que me perturba. Preciso de silêncio, preciso de paz, preciso de me ouvir, mas não quero o teu silêncio…

Simon & Garfunkel – Sound Of Silence

Hello darkness, my old friend
I’ve come to talk with you again
Because a vision softly creeping
Left its seeds while I was sleeping
And the vision that was planted in my brain
Still remains
Within the sound of silence

In restless dreams I walked alone
Narrow streets of cobblestone
‘Neath the halo of a street lamp
I turned my collar to the cold and damp
When my eyes were stabbed by the flash of a neon light
That split the night
And touched the sound of silence

And in the naked light I saw
Ten thousand people, maybe more
People talking without speaking
People hearing without listening
People writing songs that voices never share
And no one dared
Disturb the sound of silence

“Fools”, said I, “You do not know
Silence like a cancer grows
Hear my words that I might teach you
Take my arms that I might reach you”
But my words, like silent raindrops fell
And echoed
In the wells of silence

And the people bowed and prayed
To the neon god they made
And the sign flashed out its warning
In the words that it was forming
And the sign said, “The words of the prophets are written on the subway walls
And tenement halls”
And whispered in the sounds of silence

 
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Publicado por em 30 de Abril de 2011 em vida

 

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