cansaço #4
memórias #5
hoje fui ver o mar
e olhava as suas ondas
que iam e vinham
levavam-me numa viagem
para tempos e espaços
para momentos e lugares
em que vivia a felicidade
recordei cada momento
recordei cada lugar
recordei cada palavra
recordei cada silêncio
recordei cada olhar
recordei cada beijo
recordei cada abraço
recordei cada surpresa
recordei-te no meu tempo
recordei-te no meu espaço
recordei-te como a felicidade
porque a felicidade eras tu…
o que é a esperança?
O que é para vocês a esperança? Será a esperança bom ou mau para nós? Termos esperança e lutarmos pode ser a nossa perdição? Tenho pensado muito nisto e já não sei o que acho certo ou não. Parece-me que tive muita esperança, o que me fez não desistir, o que me fez lutar, mas, no fim, penso que foi o que me fez entrar numa espiral de auto destruição.
Esta foi a minha definição de esperança…
http://jorgemiguelcs.wordpress.com/2011/08/19/esperanca-ii/
Qual é a vossa?
um pouco de paz…
Algo de que tanto preciso, de alguma paz…
carta… à minha alma
Vai alma, vai, percorre dolorosamente essa via sacra que é a tua vida. Percorre cada palmo, cada centímetro penoso desse caminho errante na mais solitária das solidões. Bem tentas encontrar outra sombra que faça companhia à tua mas não, não encontras nenhuma sombra que queira a companhia da tua. Tudo te dói, tudo te fere, tudo te magoa nesse longo percurso. Cada vez que tentas levantar-te algo ou alguém te desfaz, te desfragmenta mais ainda essa alma. Para ti minha alma, que tanto sofres, que tanto mereces, embora nem sempre o aches, para ti, desejo que te levantes, que faças esse percurso de uma só vez pois, no fim, lá estará à tua espera esse arco-íris da felicidade. Deixarás de ver todo esse cinzento e preto com que pintas e te pintam a vida para veres todas essas cores desse arco-íris que te parece tão utópico, tão irreal, tão longínquo… Mas quero que saibas que existe, que está ao teu alcance, que és capaz de lá chegar. Desejo-te que lá chegues pois alma, tu és eu e eu sou tu. Eu sou o corpo e mente a quem dás vida, mas tens de estar bem minha alma, para que eu também o esteja.
piano…
Embora eu seja apaixonado por muitos géneros de música, adoro o som do piano. Deixo mais uma instrumental, espero que gostem…
mais uma despedida…
É com muita pena que decidi despedir-me deste espaço, já o fiz uma vez e voltei. Gostei de interagir com algumas pessoas a quem desejo a maior das felicidades, especialmente a uma pessoa que penso que saberá quem é. Aprendi muito aqui, tanto nos desabafos, meus ou não, como nos conselhos ou opiniões que me deram. Penso não ter ofendido ninguém com as minhas palavras, se o fiz, peço desculpa. Obrigado a todos os que me leram e fizeram parte do mundo virtual que é este blog.
Desejos de muitas felicidades para todos.
Fiquem bem.
Abraço.
vida #68
Não são as Circunstâncias que Decidem a Nossa Vida
A nossa vida, como repertório de possibilidades, é magnífica, exuberante, superior a todas as históricamente conhecidas. Mas assim como o seu formato é maior, transbordou todos os caminhos, princípios, normas e ideais legados pela tradição. É mais vida que todas as vidas, e por isso mesmo mais problemática. Não pode orientar-se no pretérito. Tem de inventar o seu próprio destino.
Mas agora é preciso completar o diagnóstico. A vida, que é, antes de tudo, o que podemos ser, vida possível, é também, e por isso mesmo, decidir entre as possibilidades o que em efeito vamos ser. Circunstâncias e decisão são os dois elementos radicais de que se compõe a vida. A circunstância – as possibilidades – é o que da nossa vida nos é dado e imposto. Isso constitui o que chamamos o mundo. A vida não elege o seu mundo, mas viver é encontrar-se, imediatamente, em um mundo determinado e insubstituível: neste de agora. O nosso mundo é a dimensão de fatalidade que integra a nossa vida.
Mas esta fatalidade vital não se parece à mecânica. Não somos arremessados para a existência como a bala de um fuzil, cuja trajectória está absolutamente pré-determinada. A fatalidade em que caímos ao cair neste mundo – o mundo é sempre este, este de agora – consiste em todo o contrário. Em vez de impor-nos uma trajetória, impõe-nos várias e, consequentemente, força-nos… a eleger. Surpreendente condição a da nossa vida! Viver é sentir-se fatalmente forçado a exercitar a liberdade, a decidir o que vamos ser neste mundo. Nem mum só instante se deixa descansar a nossa actividade de decisão. Inclusivé quando desesperados nos abandonamos ao que queira vir, decidimos não decidir.
É, pois, falso dizer que na vida «decidem as circunstâncias». Pelo contrário: as circunstâncias são o dilema, sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.
Ortega y Gasset, in ‘A Rebelião das Massas’
imutabilidade…
“So little time
Try to understand that I’m
Trying to make a move
just to stay in the game
I try to stay awake
and remember my name
But everybody’s changing
And I don’t feel the same”
vida #67
Que é frequente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.
.
Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.
.
Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar.
caminhos…
A vida é uma encruzilhada infinita de caminhos, um percurso cheio de hipóteses, escolhas e opções. Quantas vezes calcamos até que se nos depara um beco sem saída, sem futuro. Por vezes esse beco sem saída é um caminho que nos fecham ou que nos impedem de percorrer e ficámos sem saber o que fazer. Por um lado é aquele caminho que queremos percorrer, é aquele futuro que queremos para a nossa vida, por outro lado somos impedidos de seguir por esse caminho. E a vida pára, nem avançamos porque já não há saída, nem voltamos para trás nem escolhemos outro caminho porque não queremos. Os passos param mas o tempo continua, implacável e insensível à nossa paragem na vida. As lutas começam, por um lado queremos viver, por outro lado, era aquele futuro que queríamos e outro caminho que não aquele não é vida nem faz sentido. Quanto tempo mais perderei neste beco sem saída para o qual conduzi a minha vida? Eu sei que já dei passos grandes para sair daqui mas sei que ainda algo me agarra, algo me faz permanecer estático e inerte nesse beco. A vida é um labirinto de oportunidades e lutei tanto por uma que não vi as outras todas que perdi, que deixei escapar… Irónico…
retrospecção…
Foi um fim de semana retrospectivo, para pensar na vida. Preciso de saber respostas que sei estarem dentro de mim mas que não consigo encontrar. Sei que estas respostas ninguém mas pode dar, eu é que tenho de as descobrir. Penso que ainda não me libertei totalmente do passado, que ainda arrasto comigo essas mágoas de tempos idos mas que ainda me ferem. Anseio desesperadamente que esse passado não me afecte mais, enquanto isso ainda acontecer, sinto que não construirei nenhum futuro para mim, não há futuro que aguente apoiado em bases frágeis…
amor #59
De um Amor Morto
De um amor morto fica
Um pesado tempo quotidiano
Onde os gestos se esbarram
Ao longo do ano
De um amor morto não fica
Nenhuma memória
O passado se rende
O presente o devora
E os navios do tempo
Agudos e lentos
O levam embora
Pois um amor morto não deixa
Em nós seu retrato
De infinita demora
É apenas um facto
Que a eternidade ignora
Sophia de Mello Breyner Andresen, in “Geografia”

alguns amores são como velas apagadas, não gastam mas também não dão luz nem dão calor... não evoluem, estagnam na dimensão do tempo...
cansaço #3
“Time has come, to rest these tired eyes”
Nikolaj Grandjean – Heroes & Saints
Uma das mais lindas músicas de sempre, e cheia de significado para mim…










